Missa Negra — ritual que parodia ou inverte a missa católica, associado historicamente ao ocultura.org/encyclopedia/satanismo/” class=”oenc-crosslink” title=”Satanismo”>satanismo, ao libertinismo aristocrático do século XVII e à literatura anticlerical, com documentação histórica muito mais escassa do que a literatura sensacionalista sugere.
A Missa Negra ocupa lugar proeminente no imaginário do ocultismo e do anticlericalismo europeu, mas sua história real é complexa. O caso mais documentado é o do Affaire des Poisons (1677–1682) na França de Luís XIV, onde a investigação judicial revelou supostas missas celebradas por sacerdotes corruptos sobre corpos de mulheres nuas, misturando invocações demoníacas com pedidos de morte de rivais — o investigador La Reynie documentou testemunhos, embora a confiabilidade das confissões obtidas sob torturas seja questionável. O padre Étienne Guibourg teria celebrado tais ritos a pedido da Marquesa de Montespan. No século XIX, o escritor Joris-Karl Huysmans popularizou a imagem da Missa Negra em seu romance Là-Bas (1891), obra que mistura pesquisa histórica com ficção. Na Église Satanique de Anton LaVey (século XX), a Missa Negra é um ritual essencialmente teatral e psicológico, sem crença literal em Satã. Historiadores do ocultismo tendem a ver a Missa Negra mais como construção cultural e projeção de medos clericais do que como prática disseminada.