Amuletos — Objetos inscritos ou não inscritos portados ou depositados com finalidade de proteção, cura, afastamento do mal ou obtenção de favores, documentados de forma ininterrupta desde a Antiguidade até os dias atuais.
Na tradição greco-egípcia, que constitui o corpus mais bem documentado, os amuletos dividem-se em phylacteries (“protetores”, de phylassō, guardar) e amuletos de cura. Os Papiros Gregos de Magia (Papyri Graecae Magicae, PGM) e os Supplementum Magicum (SM) fornecem os manuais de fabricação — formulários que descrevem os materiais (papiro, ouro, prata, estanho, cobre, pedras semipreciosas, materiais orgânicos), as fórmulas escritas (nomes divinos, voais, caracteres mágicos) e os rituais de consagração. As funções registradas incluem: cura de doenças (febre, epilepsia, problemas oculares, dores uterinas), proteção contra demônios, obtenção de favor e vitória em disputas legais, defesa do mal-olhado e uso apotropaico geral.
Os materiais variam com o propósito: ouro e prata eram usados para phylacteries protetoras (associadas ao Sol e à Lua, respectivamente), enquanto o chumbo — metal de Saturno — era reservado para maldições (defixiones). As gemas mágicas (intaglios) de cornalina, jaspe, hematita e outros materiais constituem categoria especial, florescida a partir do século II d.C., cujas inscrições incluíam invocações a Abraxas, Iao, Sabaoth e outros nomes do sincretismo greco-egípcio-judaico. Hematita era especialmente usada para amuletos uterinos. Nas gemas gnósticas, encontram-se caracteres e nomes coincidentes com os dos textos de ocultura.org/encyclopedia/nag-hammadi/” class=”oenc-crosslink” title=”Nag Hammadi”>Nag Hammadi, indicando sobreposição entre práticas mágicas e círculos gnósticos.
A tradição dos amuletos não inscritos (peridpatos orgânicos ou minerais, baseados na simpatia e antipatia universal) coexistiu com a dos inscritos, e ambas persistem em diversas formas até a modernidade.