Böhme, Jakob

Böhme, Jakob (1575–1624) — Sapateiro e místico alemão de Görlitz, um dos mais originais teósofos cristãos de todos os tempos, cuja visão da divindade como processo dinâmico e polarizado influenciou profundamente o ocultura.org/encyclopedia/esoterismo/” class=”oenc-crosslink” title=”Esoterismo”>esoterismo europeu, o idealismo alemão e o romantismo.

Sem formação acadêmica formal, Böhme desenvolveu sua teosofia a partir de uma série de iluminações, a primeira delas em 1600, quando contemplou a luz refletida em uma bacia de estanho. Seu primeiro livro, Aurora, ou A Alvorada (1612), circulou em manuscrito e provocou a ira do pastor local, Gregorius Richter, que obteve ordens para Böhme se calar. Apenas c. 1619 retomou sua atividade literária, produzindo uma série notável de obras: Os Três Princípios da Essência Divina, De Signatura Rerum, Mysterium Magnum e De Electione Gratiae (entre muitas outras).

A teosofia de Böhme parte da questão: como pode existir o mal se Deus é a totalidade? Sua resposta é teogônica: Deus é, em sua profundidade insondável (o Ungrund, “sem-fundo”), uma potência sem determinação; ao querer conhecer-se, gera em si mesmo uma polaridade (a “ira” e o “amor”, as trevas e a luz, o Pai e o Filho), da qual emerge a criação. O mal — Lúcifer, Adão caído — resulta do querer autônomo que se recusa a retornar ao amor divino. A Sophia (Sabedoria Divina) é a figura feminina que media entre Deus e a criação, desempenhando papel central em sua especulação. Böhme integra alquimia, astrologia e kabbalah em seu sistema, mas como linguagens simbólicas de uma visão direta da natureza divina.

Sua influência foi imensa: Johann Georg Gichtel, Jane Lead, o Quietismo, o Pietismo, os primeiros Quakers, Baader, Schelling, Hegel e o romantismo alemão (Novalis) são devedores diretos de Böhme. No mundo anglófono, traduzido por Law e Sparrow, influenciou William Blake e os místicos ingleses do século XVII.

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