Al-Kindi (c. 801–873) — Do árabe Ya’qūb ibn Isḥāq al-Kindī; filósofo árabe, conhecido como o “Filósofo dos Árabes”, pioneiro na recepção da ocultura.org/encyclopedia/filosofia/” class=”oenc-crosslink” title=”Filosofia”>filosofia grega no mundo islâmico e figura fundamental para a transmissão das ciências ocultas ao Ocidente medieval.
Natural de Kufa, al-Kindi viveu em Bagdá sob o patrocínio dos califas al-Ma’mun e al-Mu’tasim da dinastia abássida. Mais de 260 obras lhe são atribuídas no Fihrist de Ibn an-Nadim, cobrindo filosofia natural, metafísica, medicina, astrologia, astronomia, música, alquimia, pedras preciosas e meteorologia. Entre as obras conservadas destacam-se o Livro da Primeira Filosofia, a Epístola sobre o Intelecto e o tratado De Radiis (Sobre os Raios), este último de capital importância para a história da magia.
No De Radiis, al-Kindi desenvolve uma teoria cosmológica segundo a qual todos os objetos do universo emitem raios que agem sobre outros objetos por afinidade e antipatia — princípio que fornece um fundamento “científico” para a magia simpática. Esse tratado influenciou profundamente as cosmologias de Marsilio Ficino e Giovanni Pico della Mirandola no Renascimento, e Gerolamo Cardano incluiu al-Kindi entre os doze maiores gênios da história. As obras de al-Kindi foram traduzidas para o latim no século XII por Gerardo de Cremona, João de Sevilha, Robert de Ketton e Hugo de Santalla, tornando-o acessível ao Ocidente medieval como matemático, médico e astrólogo.
Intelectualmente, al-Kindi buscou integrar a filosofia aristotélica e a neoplatônica com a teologia muçulmana. Trabalhou na tradução da Teologia de Aristóteles (na realidade, um resumo das Enéadas IV–VI de Plotino) e integrou elementos astrolátricos e rituais dos sabeus de Harrã em sua visão científica da realidade.