Aristotelismo

Aristotelismo — Corrente filosófica baseada no pensamento de Aristóteles (384–322 a.C.) que dominou as universidades medievais europeias e manteve relação complexa com o ocultura.org/encyclopedia/esoterismo/” class=”oenc-crosslink” title=”Esoterismo”>esoterismo ocidental, em especial com a alquimia, a magia natural e o hermetismo renascentista.

A recepção do corpus aristotélico no Ocidente latino ocorreu em duas fases: uma primeira, limitada, disponível desde a Antiguidade (lógica, categorias); e uma segunda, decisiva, por meio das traduções árabes e gregas do século XII–XIII — tendo como ápice as traduções de Guilherme de Moerbeke. Os filósofos e teólogos medievais foram confrontados com a tarefa de reconciliar essa sabedoria pagã com a fé cristã, fazendo-o nas universidades recém-criadas, cujos currículos eram dominados pelo Corpus Aristotelicum. O comentador mais prestigioso foi o árabe andaluz Averróis (“o Comentador”). A filosofia natural aristotélica — com sua doutrina dos quatro elementos, a prima materia, a potência e o ato, e a cosmologia das esferas celestes — tornou-se o sustentáculo teórico da alquimia medieval.

No Renascimento, o aristotelismo da Universidade de Pádua desenvolveu uma filosofia natural secular de forte ênfase empirista, que preparou terreno para a ciência moderna. Paralelamente, figuras como Ficino e Pico della Mirandola integraram conceitos aristotélicos com o neoplatonismo e o hermetismo, usando a hilemorfismo para explicar os poderes dos amuletos e dispositivos mágicos. O aristotelismo protestante das universidades alemãs do final do século XVI adotou uma postura eclética, incorporando hermetismo, lulismo e alquimia em suas sínteses enciclopédicas (Johann Heinrich Alsted).

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