Benandanti — sociedade folclórica do norte da Itália (século XVI–XVII) cujos membros afirmavam combater feiticeiros em batalhas espirituais noturnas para proteger as colheitas e a fertilidade da terra.
O termo italiano benandanti significa literalmente “os que caminham bem” ou “os que vão em boa causa”. Os registros do Santo Ofício na região do Friuli (nordeste da Itália) documentam, a partir de 1575, depoimentos de camponeses que descreviam viagens extracorporais em transe durante as Quatro Têmporas do calendário litúrgico. Nessas viagens, os benandanti afirmavam lutar contra os malandanti (feiticeiros), armados de ramos de erva-doce, enquanto os inimigos usavam ramos de sorgo. A vitória dos benandanti garantia boas colheitas; a derrota traria fome. Os iniciados eram reconhecidos por nascerem envoltos no âmnio (membrana fetal). O historiador Carlo Ginzburg analisou esses registros inquisitoriais em sua obra Os Andarilhos do Bem (1966), interpretando os benandanti como sobrevivência de um culto agrário pré-cristão que os inquisidores gradualmente reinterpretaram como pacto demoníaco ao longo de décadas de interrogatórios.