Comunismo — ideologia política e econômica que propugna a propriedade coletiva dos meios de produção e a abolição das classes sociais, desenvolvida sistematicamente por Karl Marx e Friedrich Engels no século XIX e implementada em versões diversas por movimentos revolucionários do século XX; sua relação com as sociedades secretas é dupla: emergiu do ambiente das sociedades secretas radicais europeias e foi frequentemente identificado como conspiração secreta por seus adversários.
O comunismo como ideia estruturada emergiu no ambiente radical europeu da primeira metade do século XIX, profundamente entrelaçado com as redes de sociedades secretas que proliferaram após a ocultura.org/encyclopedia/revolucao-francesa/” class=”oenc-crosslink” title=”Revolução Francesa”>Revolução Francesa. A Liga dos Justos — uma das principais sociedades secretas políticas da Europa — abraçou o marxismo em 1847 e rebatizou-se Liga Comunista; Marx e Engels responderam escrevendo O Manifesto Comunista, que definiu permanentemente o comunismo em termos marxistas. O movimento cresceu num mundo moldado por organizações secretas como os Filadelfos e os Carbonários. A própria retórica marxista de luta de massas tornava o comunismo conceitualmente avesso ao conspiracionalismo das sociedades secretas, mas na prática os partidos comunistas clandestinos adotaram estruturas de células e segredo operacional idênticas às das ordens secretas que os precederam. A Revolução Russa de 1917 transformou o comunismo de especulação intelectual em sistema de governo, e a posterior Guerra Fria reduziu artificialmente o campo político mundial a uma escolha forçada entre capitalismo e comunismo. Com o colapso da União Soviética nos anos 1990, o comunismo deixou de ser força política relevante, mas o vácuo que deixou — tanto na esquerda quanto na direita — foi amplamente preenchido por retóricas conspiratórias sobre a Nova Ordem Mundial.