Bogomilismo — Movimento religioso dualista surgido na Bulgária no século X, que combina ocultura.org/encyclopedia/elementos/” class=”oenc-crosslink” title=”Elementos”>elementos do maniqueísmo, do paulicianismo e do gnosticismo em uma crítica radical ao mundo material e à Igreja oficial, tornando-se ancestral direto do catarismo ocidental.
O bogomilismo toma seu nome do sacerdote búlgaro Bogomil (“amado de Deus” ou “o que ora a Deus”), que teria fundado o movimento c. 950 na Macedônia ou Bulgária. A fonte primária mais importante é o Discurso contra os Bogomilos do monge Cosme (séc. X). A teologia bogomila é dualista: o mundo material foi criado por Satanael (o Diabo), filho mais velho de Deus que se revoltou, enquanto o segundo filho — Cristo — desceu ao mundo para redimir as almas aprisionadas na matéria. Os bogomilos rejeitavam o Antigo Testamento (identificado com o deus do mal), os sacramentos, as imagens, a hierarquia eclesiástica e a cruz. Praticavam ascetismo rigoroso, abstendo-se de carne, vinho e casamento entre os “perfeitos”. A única prece aceita era o Pai Nosso, repetida frequentemente. Eram organizados em dois grupos: os perfeitos (ascetas rigorosos) e os crentes (a maioria, sujeitos a normas menos severas).
O bogomilismo expandiu-se pela Sérvia (séc. XII), Bósnia (onde sobreviveu até a conquista otomana em 1463, provavelmente convertendo-se ao Islã) e penetrou no Ocidente, influenciando os cátaros da Itália e da França por meio de viagens e do apócrifo Interrogação de João (Interrogatio Iohannis). Na Bulgária, o Sínodo de Trnovo condenou o bogomilismo em 1211. A palavra “bougre” (búlgaro) tornou-se denominação genérica de herético no francês medieval.