Catarismo

Catarismo — Movimento religioso dualista medieval, florescido principalmente no sul da França (Languedoc) e no norte da Itália entre os séculos XII e XIV, que professava uma teologia gnóstica de rejeição radical do mundo material e uma ética de pureza ascética.

O nome “cátaro” vem do grego katharos (“puro”). Os cátaros acreditavam que o mundo material fora criado por um princípio maligno (o Deus do Antigo Testamento, ou Satã) e que as almas humanas eram seres de luz aprisionados na matéria pelos poderes do mal. A libertação exigia conhecimento espiritual (gnosis) e a ruptura com o mundo por meio do celibato, vegetarianismo e recusa de juramentos, serviço militar e propriedade. A hierarquia era formada pelos perfecti (ou bons homens) — os que haviam recebido o sacramento do Espírito Santo (ocultura.org/encyclopedia/consolamentum/” class=”oenc-crosslink” title=”Consolamentum”>consolamentum) e seguiam a via ascética — e os credentes (crentes), a maioria da comunidade. Havia uma polêmica histórica sobre se o catarismo era absolutamente dualista (dois princípios coeternos igualmente poderosos) ou moderadamente dualista (um Deus bom e uma criatura decaída); as igrejas cátaras italianas e languedocianas divergiam nessa questão.

Originado possivelmente do contato com o bogomilismo balcânico, o catarismo floresceu no Languedoc sob a proteção de nobres locais. A Cruzada Albigense (1209–1229), convocada pelo Papa Inocêncio III, e a subsequente Inquisição tornaram o movimento quase extinto até meados do século XIV. O massacre de Montségur (1244), onde os últimos perfecti foram queimados, tornou-se símbolo da perseguição. O catarismo gerou uma vasta literatura de debate e polêmica — tanto dos perseguidores quanto dos defensores —, e sua memória foi reabilitada pelos provençalistas e românticos do século XIX.

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