Conspiração dos Iguais (fr. Conspiration des Égales) — organização secreta revolucionária de curta duração fundada em Paris em 1796 por François “Gracchus” Babeuf e Filippo Buonarroti, que visava derrubar o Diretório e estabelecer um regime de igualdade econômica radical; seu fracasso e posterior documentação por Buonarroti influenciaram profundamente a teoria e a prática revolucionária do século XIX.
A Conspiração dos Iguais surgiu da prisão: Babeuf e Buonarroti conheceram-se detidos após a derrota dos jacobinos em 1794 e debateram ali as possibilidades de ação revolucionária. Libertados em outubro de 1795, fundaram a Société du Panthéon (Sociedade do Panteão) para propagar ideias jacobinas, copiando sua estrutura da Cercle Social de Bonneville. Quando a Société foi suprimida pelo Diretório em fevereiro de 1796, seus líderes organizaram imediatamente um núcleo secreto — a Conspiração — focado não em revolta popular mas na tomada do poder por uma pequena elite de revolucionários comprometidos. O plano concentrou-se no recrutamento de pessoal governamental e militar e na propaganda sistemática. Em maio de 1796, o Diretório, com um informante no núcleo interno da Conspiração, prendeu 200 membros antes que agissem. Babeuf foi executado; Buonarroti e a maioria passaram longos anos na prisão. O impacto histórico da Conspiração, porém, ultrapassou em muito seu fracasso: a publicação por Buonarroti em 1828 da Conspiration pour l’Égalité tornou-a o modelo de referência da revolução por tomada de poder por elite — padrão que ecoaria desde as revoluções europeias de 1848 até a Revolução Bolchevique de 1917.