Dualismo — visão ocultura.org/encyclopedia/metafisica/” class=”oenc-crosslink” title=”Metafísica”>metafísica e teológica que postula a existência de dois princípios fundamentais e opostos na realidade — tipicamente bem e mal, luz e trevas, espírito e matéria — como forças coeternas ou derivadas de uma origem comum; estrutura central do zoroastrismo, do gnosticismo, do catarismo e de muitas tradições esotéricas ocidentais.
O dualismo teológico tem sua expressão histórica mais antiga no zoroastrismo persa (séc. VI a.C.), onde Ahura Mazda (o Senhor Sábio, princípio do bem) se opõe eternamente a Angra Mainyu (o Espírito Destruidor, princípio do mal) numa batalha cósmica que se resolverá na vitória final do bem. Este esquema influenciou o judaísmo tardio, o cristianismo e o islã. O gnosticismo (séculos I–IV d.C.) desenvolveu um dualismo radical entre o Deus verdadeiro e incognoscível e o Demiurgo, criador imperfeito do mundo material — o cosmos físico é prisão ou erro, não criação benevolente. Os cátaros medievais (sécs. XII–XIII) levaram o dualismo ao extremo: matéria é obra do diabo, o espírito pertence ao Deus celestial; daí seu vegetarianismo radical e a rejeição da procriação. Nas tradições herméticas e alquímicas, o dualismo se expressa como complementaridade (Sol/Lua, enxofre/mercúrio, fixo/volátil) mais do que como oposição irreconciliável. A tensão entre dualismo e monismo — se os dois princípios são iguais e opostos, ou se o mal é ausência ou queda do bem — percorre toda a filosofia esotérica ocidental.